Notícias
Literatura
A persiana entreaberta, recortada pelo correr do ar, e a minha deusa, tu, eterna, a tilintar na mente. Os dias que passo com M., um a um, a tirarem-te espaço dentro de mim, com dor, com sofrer, centímetro a centímetro, rasgão a rasgão. Penso em deixar de te procurar em cada momento de descanso, em cada momento de paixão, em cada momento de ternura. Não consigo e cedo-te, como sempre cedi, até ao instante em que foste tu que cedeste (sim, foste tu que cedeste) às minhas loucuras, ao ópio que te era e que já não te sou, apenas passado, um passado que deixaste para trás, que abandonaste (sempre foste forte, mesmo nos momentos em que te manipulava sentia que eras mais forte que eu), mas eu não, eu ainda te tenho e te escrevo e te procuro e te quero e dava tudo para que chegasses ou ligasses e dissesses: amo-te, ainda te amo, beija-me, abraça-me, ama-me. Mas eu sei que não o farás, sei que já não voltas e sei que já não me falas. Sou o pior perdedor que conheço e quando soube que ia sair derrotado da nossa relação tratei logo de te ferir, de todas as maneiras (com mentiras, com palavras de fúria, com discursos feitos punhais), e assim partiu o amor (agora volta a creditar que me amaste), qual pedaço de metal colado ao íman da dor.
No fundo no fundo só queria que percebesses uma coisa:
Muitas vezes temos de encarar a dor que nos é infligida como uma das mais fortes provas de amor que o ser humano é capaz de dar.
Autor: pedro chagas freitas
Data: 12/02/04






Agenda