Literatura

Garrett, uma celebridade sem audiências

A castelobranqueação da cultura popular

É já dia 9 de Dezembro que se assinalam (?) os 150 anos da morte do grande nome da dramaturgia portuguesa, vulgo Al-meida Garrett, e, talvez pela solenidade da desdita, o silêncio parece ser a forma escolhida quase unanimemente neste país que se diz

Fugindo ao insólito marasmo com que as entidades que se movimentam na cultura parecem marcar a data, destaque-se o Centro Nacional de Cultura, que já em Fevereiro organizou o colóquio "Garrett e o Brasil" e que até ao final do ano conta, noutras iniciativas, abordar o lado político do escritor, que se distinguiu mesmo antes de ser deputado pela redacção de um conjunto de notáveis textos legislativos, sobre temas diversos como o direito de autor, que polemizou com Alexandre Her-culano – Garrett contrapunha que os escritores e os artistas também tinham de almoçar todos os dias, como toda a gente, o que à época não parecia ser consensual!
Garrett foi eleito deputado inúmeras vezes mas sempre recusou cargos governativos, preferindo dedicar-se à criação de um Teatro Nacional, de um Conservatório de Arte Dramática (onde leccionou escreveu mesmo peças para serem representadas pelos alunos), e da Inspecção-Geral dos Teatros e Espectáculos Nacionais.
Quanto à sua obra romântica, reconhecida e estudada internacionalmente, há que nos enfronharmos nos canhenhos e alfar-rábios escolares, que de outra forma o país real não irá relembrá-la, ocupado que anda com ‘códigos de Avintes’ e os manei-rismos de um certo ‘campesino’ de uma quinta que não em S. Pedro de Sintra...


Autor: Luís Guimarães
Data: 19/10/04


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