Literatura

"DIARIO DE UMA NINFOMANÍACA"

dedicado àqueles a quem servir "a carapuça"...ou não

Dizem os estudos que a ninfomania não é assim tão rara quanto se pensa, afectando, na realidade, homens e mulheres de igual modo. Valérie Tasso, a autora deste livro, narra aqui uma parte da sua vida dentro desse complexo esquema emocional.

Depois da saga (ainda remanescente) do "Código da Vinci", num âmbito quiçá entre o científico e o fantástico, outro género de livros têm sido "pequenos best-sellers" ao longo deste ano. Prolongando uma simpatia dos leitores mais preguiçosos em relação à chamada literatura "light", ou do tipo cor-de-rosa, da qual derivaram ultimamente obras à la Bridget Jones ou potenciais teorias como aquela, de que me recordo, em que os homens eram como chocolate, chega-nos um livro criado a partir de uma experiência, supostamente pessoal, de uma mulher francesa, não escritora mas com uma carreira profissional comum na área da Gestão, de seu nome Valérie Tasso.
Perto dos trinta anos de vida, Tasso relata, em DIÁRIO DE UMA NINFOMANÍACA, experiências pessoais muito peculiares que envolvem o seu relacionamento com o sexo masculino, na perspectiva de alguém que faz das relações sexuais uma obsessão diária que não vê caras, nem corações, nem preconceitos sociais.
Este livro é, por um lado, mais do mesmo, no que concerne a uma temática bastante insistente nas nossas livrarias desde há algum tempo. Não deixando de se apresentar como uma obra orientada para fins comerciais, logo a começar pelo título- sublinhado a vermelho- , e de conter uma escrita pouco exigente - diria mesmo que absolutamente banal, tirando algum vocabulário mais erudito que marca certas passagens mais poéticas do relato -, O DIÁRIO é, contudo, uma obra literária ( se é que assim se pode chamar) que prende o leitor pela faceta personalizada da história, que é uma história, passe o pleonasmo, de fragilidades humanas, de uma vida real. E de que mais gosta o público, senão de vidas reais? - Parece excessivo, mas na verdade não o é, ou não considerássemos o sucesso de livros anteriormente lançados dentro deste género,e o facto de Valérie Tasso estar já perante a segunda edição do seu manifesto íntimo.
Em suma, DIÁRIO DE UMA NINFOMANÍACA não surpreende nem choca, não emociona, nem sequer dramatiza demasiado uma história de um percurso afectivo e pessoal pouco ortodoxo. É, ainda assim, daqueles livros que fazem companhia e que se lêem num ápice, interessante q.b. pela curiosidade que desperta (talvez pelos ângulos de 180 graus por que passa a vida da personagem central, Val), e que ganha bastante mais corpo (em termos de história e de escrita) a partir do desenvolvimento, quando passa de um quase cansativo mas igualmente curioso relatar do tipo porno-erótico-ordinário. Val, a ninfomaníaca, a perversa, a prostituta por necessidade e prazer, que no fim (não tão previsível quanto seria de esperar numa ficção dentro do mesmo tema) revela afinal aquilo que não é segredo para ninguém: que os brutos também amam, e que quem faz asneira leva o castigo. Um livro que não acrescenta nada de profundo à existência do comum mortal que o lê, mas que mostra um caminho tortuoso que muitos de nós não ousariam seguir.

Autor: Andreia Monteiro
Data: 18/12/04


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