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‘Confissões de um Franciscano’
Luís Guimarães – Livros do Brasil
Foi a semana passada apresentado por Maria de Belém, no Seminário da Luz, o livro que tenta retratar o pensamento do P.e Vítor Melícias, nas suas mais diversas vertentes, prefaciado por António Guterres.O padre Vítor Melícias é uma das personalidades mais cativantes e complexas do Portugal contemporâneo. Conhece-se a sua persistente intervenção cívica, desde os agora longínquos tempos do chamado «Grupo da Luz», e o modo como tem influenciado algumas das grandes figuras políticas da actualidade. A solidariedade, a alegria de viver, a fé na possibilidade de fazer do nosso um mundo melhor, dão-lhe um lugar merecidamente à parte na sociedade portuguesa. Impunha-se por isso, há muito, a edição de uma obra como esta que a Livros do Brasil se orgulha de lançar a público. Uma obra que dá a conhecer os detalhes e a riqueza de uma vida que tem, como poucas, contribuído para tornar Portugal um país mais fraterno, mais sereno, mais capaz de lançar pontes para outros povos e para os novos tempos que aí vêm. Foi a essa tarefa que lançou mão Luís Guimarães. Como ele próprio diz, «não podemos evitar, quando o conhecemos pessoalmente ou o vemos na pantalha televisiva, de simpatizarmos de forma automaticamente empática com ele.» Mas nem por isso o jornalista deixou que a simpatia se sobrepusesse ao seu dever de inquérito. De modo que o leitor encontrará neste livro, não apenas o retrato, forçosamente luminoso, do padre Vítor Melícias, mas ainda o modo como, de forma libérrima, este reflecte sobre diversas questões controversas, surpreendendo-nos tantas vezes pelo exercício fascinante da sua inteligência.
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«Dizia-se de Átila, o Huno, que por onde o seu cavalo passava nunca mais crescia a erva. Em contraste, pode dizer-se que por onde passa o padre Vítor Melícias tudo floresce, a começar pela alegria e pela amizade.
Ele é de facto a encarnação da alegria de viver. Mas não é uma alegria que decorra da contemplação narcísica de si próprio e dos seus êxitos, mas sim da relação com os outros, na amizade e na permanente doação de si próprio.
Uma alegria que ele vive na fé, uma fé tão autêntica quanto esclarecida, limpa das teias de aranha com que tantas vezes é adulterada e que se projecta com uma tal limpidez que estou seguro de que muitos dos que o conheceram ou conhecem a ele devem a sua própria fé, face às angústias e às dúvidas dos tempos presentes. Homem da Igreja, sacerdote de dedicação exemplar, o padre Vítor Melícias nunca renunciou a expressão da cidadania, ao compromisso cívico com a sociedade a que pertence, sem ligações de carácter partidário, mas entregando-se a uma intensa intervenção pública em nome da Justiça, da Paz e da Solidariedade, com exemplar empenhamento.
O seu trabalho nos bombeiros, à frente da União das Misericórdias ou, sobretudo, como comissário para Timor-Leste deixa a marca indelével em tudo por onde passa.
O momento exaltante para Portugal e para a nossa própria dignidade no fim do ciclo colonial, a independência de Timor-Leste, teve no padre Vítor Melícias um dos principais, se não o principal, dos nossos protagonistas.
Mas, acima de tudo, o que a nós, os que temos ser seus amigos, marca é afinal o Homem integral, o sentido e o significado da Vida e que permanentemente nos aponta o Bem.
Nenhuma biografia, nem mesmo esta, com todo o inegável talento do seu autor, o poderá alguma vez descrever, porque não é possível fixar em palavras a exaltação da Vida e a plena expressão do Bem.» A n t ó n i o G u t e r r e s
Autor: Luís Guimarães
Data: 08/03/05





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