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- O amor está numa resposta, numa simples resposta eu percebo se serei ou não capaz de amar uma mulher.
Chamava-se João. Mas toda a gente lhe chamava Johnny Maluco.
Em miúdo, era o orgulho dos pais. Foi sempre o melhor aluno da turma e um exemplo de educação.
Um dia, viu a luz.
- Descobri o amor.
A partir daí nunca mais foi o mesmo. Começou a ter atitudes cada vez mais estranhas.
Os pais, envergonhados, expulsaram-no de casa.
Johnny Maluco dorme onde calha, à hora que calha. Come o que encontra no chão ou no lixo, só para ter força para prosseguir a sua busca. Não tem horários nem outras ambições que não sejam a procura da resposta – do amor.
Anda pelas ruas a insultar – sim, no fundo é essa a sua vida: insultar.
Insulta as mulheres que mais o fascinam fisicamente e espera a resposta. A tal resposta. Até hoje ainda não ouviu o que quer ouvir.
Johnny Maluco não sabe o que quer ouvir, sabe apenas que não é o que até agora ouviu. Muitas insultam-no também. Outras riem e desprezam-no.
Nenhuma delas é o amor.
Passa algum tempo num local, só até insultar todas as mulheres que pudessem interessar-lhe. Depois muda de cidade, de vila ou de aldeia.
Não vai descansar enquanto não encontrar o que tanto procura – o amor.
Na rua, Johnny Maluco sente o leve toque de uma mão no ombro. Vira-se. Uma mulher, que ele nunca vira antes, diz-lhe
- És um cabrão, um grande filho da puta.
Johnny abre a boca de espanto. Agarra na mulher, abraça-a com força e beija-a.
Não era aquela a resposta que ela queria, não era aquele o caminho do amor.
A mulher vira-lhe costas e parte sem uma palavra.
- O amor é uma pergunta
pensa Johnny Maluco
- O amor é uma pergunta de fora para dentro.
E conclui:
- Para o amor não há resposta.
Autor: pedro chagas freitas
Data: 11/03/05






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