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A Irmandade de São Jorge e a Inquisição na Lisboa Moderna
GEORGINA SILVA DOS SANTOS - COLIBRI O São Jorge mítico acha-se aqui representado em toda a sua força e complexidade, mas o assunto principal pertence mesmo ao quotidiano concreto dos homens: a irmandade de São Jorge de Lisboa, entre os séculos XVINa cantiga popular, São Jorge assentou praça na cavalaria, e o facto de ser um de seus companheiros traz felicidade. Poucos santos são tão cultuados no Brasil quanto ele, nem tão omnipresentes: imagem de gesso sempre vigilante tios nichos que ornam varandas domésticas, estabelecimentos comerciais, hospitais; figura pintada nos calendários, folhinhas ou medalhas esmaltadas a penderem do pescoço dos fiéis; espírito encarnado em outros “cavalos”, estes humanos, e pronto a descer em terreiros de umbanda e candomblé. São Jorge cruza fronteiras religiosas, étnicas, sociais; carrega tradições múltiplas, move-se no mapa da terra e tio cio céu, atende a esfera temporal e a espiritual. Não deve ser à toa que está na Lua, visível a olho nu, misturando justamente o reino deste mundo com o do outro.
Santo forte, impregnado no quotidiano e no imaginário brasileiros, São Jorge é figura de lenda, um “santo literário” sem existência comprovada. Mesmo assim, ou talvez por isso, tem enorme apelo simbólico e foi escolhido pela dinastia de Avis quando esta subiu ao trono de Portugal, após convulsões que quase puseram fim à autonomia ante Castela. O santo. desde então, se confundiu com a monarquia, e quando a questão era de feri-o e fogo, lá vinha ele, em procissão ou estandarte, assegurar a dominação portuguesa. Da antiga metrópole passou para a colónia: não em ginete, tuas em navio de carreira, acomodado entre governantes, burocratas, padres da companhia, degredados, camponeses pobres. vacas, carneiros, pipas de azeite, pregos
Autor: Luís Guimarães
Data: 17/07/05




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