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‘Abençoa-me, Ultima’
Rudolfo Anaya - Vega
Nesta obra-prima da literatura mexicana-americana surge-nos Ultima, ‘La Grande’, bruxa velha e sábia, cheia de segredos. Entra nesta história a dois níveis: por um lado leva a cabo exorcismos e curas e, por outro, ajuda o pequeno Antonio a encontrarUltima ensina-lhe que as perguntas mais difíceis sobre a vida podem nunca ser respondidas por uma única religião ou por uma tradição cultural. As questões que Antonio coloca sobre o mal, o perdão, a verdade e a alma apenas por ele poderão ser respondidas. Somente a combinação das águas dos dois rios (a religião católica e os mitos e tradições indígenas) fará Antonio encontrar a sua identidade chicana. Por isso, num gesto simples mas cheio de significado, Ultima oferece a Antonio o seu escapulário. Nele não há qualquer imagem da Virgem ou de um Jesus crucificado mas um grupo de pequenas plantas medicinais.
Simbolicamente, Ultima transmite o seu conhecimento da terra a Antonio. Então ele entende que o catolicismo, parte da herança hispânica, não responde a tudo. É essencial escutar as revelações da Natureza, sentir o poder que emerge das planícies, acordar as maravilhas da criação e unidade universal.
O chicano é um híbrido de convicções. A aceitação das suas heranças conduzirá Antonio ao equilíbrio cultural, condição essencial para a formação da sua identidade. O segredo está em reunir o ‘llano’ e o vale do rio, a lua e o mar, Deus e a carpa dourada, e fazer algo novo. Finalmente Antonio compreende que nada é verdadeiramente irreconciliável e move-se de uma visão polarizada da realidade para o reconhecimento da unidade dos opostos, da harmonia do homem com a Natureza.
Possamos nós fazer o mesmo.
Autor: Luís Guimarães
Data: 12/02/06





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