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Poesia de Judith Herzberg
lida por Jorge Silva Melo
Por ocasião do lançamento de O que resta do dia, antologia de poesia e prosa de Judith Herzberg (Cavalo de Ferro) traduzida por Ana Maria Carvalho Lemmens, e da reposição de A Fábrica de Nada (Teatro Municipal de Almada), Jorge Silva Melo lerá alguns
Por ocasião do lançamento de O que resta do dia, antologia de poesia e prosa de Judith Herzberg (Cavalo de Ferro) traduzida por Ana Maria Carvalho Lemmens, e da reposição de A Fábrica de Nada (Teatro Municipal de Almada), Jorge Silva Melo lerá alguns poemas da autora na sua presença.
Judith Herzberg (Amesterdão, 1934). Começou a publicar nos anos 1960, sendo desde então considerada uma das mais importantes poetas holandesas. Nos anos 1970, começou a escrever teatro. Recebeu inúmeros prémios e a sua obra está traduzida em alemão, inglês, francês, português e italiano. Disse uma vez: “Tento que o público experimente a mesma confusão que eu, quando observo a realidade.” O seu teatro foi revelado em Portugal por Alberto Seixas Santos que dirigiu O Caracal no Teatro Taborda. Jorge Silva Melo estreou, em 2005, A Fábrica de Nada na Culturgest.
Caixas
Porque durante a guerra nos falavam sempre
de antes da guerra, de como todos eram todos
ingénuos, tenho agora o máximo cuidado,
ao deitar qualquer coisa fora, por exemplo,
uma caixa de papelão, peço a Deus
para que a caixa não volte nunca
a assaltar-me em forma de remorso;
lembras-te ainda como nós, despreocupados,
deitávamos fora caixas sem pensar!
Se tivéssemos guardado pelo menos uma,
se tivéssemos guardado pelo menos uma!
Judith Herzberg
Trad. Ana Maria Carvalho Lemmens
Fonte: Culturgest
Autor: Paulo Cardoso Ribeiro
Data: 09/01/08





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